Decreto Lula e o CAC: O Que Realmente Mudou — e O Que Permanece
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Decreto Lula e o CAC: O Que Realmente Mudou — e O Que Permanece

O Decreto 11.366/2023: Como Lula Desfez a Liberação de Bolsonaro e o Que Você Precisa Fazer Agora O Decreto 11.366 de 1º de janeiro de 2023 enterrou de vez a política de liberação de armas que Jair Bolsonaro construiu ao longo de quatro an...

DJ Cavalcanti|5 de outubro de 2026|1h atrás|9 min

O Decreto 11.366/2023: Como Lula Desfez a Liberação de Bolsonaro e o Que Você Precisa Fazer Agora

O Decreto 11.366 de 1º de janeiro de 2023 enterrou de vez a política de liberação de armas que Jair Bolsonaro construiu ao longo de quatro anos. Lula chegou à presidência e, em seu primeiro dia útil, assinou a ordem que revogou integralmente o Decreto 10.826/2021 — aquele que permitiu a Bolsonaro expandir o mercado de armas civis sem precedentes na história republicana. O que você precisa saber é que essa revogação não foi um ajuste fino: foi um reset completo.

Bolsonaro havia criado uma arquitetura legal que simplificava a compra de armas, reduzia burocracia e permitia que qualquer cidadão comum — desde que passasse por um psicotécnico — tivesse acesso a sete pistolas, sete revólveres e cinco espingardas de repetição. O número de CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) saltou de 117 mil em 2018 para mais de 600 mil em 2022. Isso foi destruído no primeiro golpe de caneta da nova administração.

O Que Foi Revogado Exatamente

O Decreto 10.826/2021 criado por Bolsonaro permitia renovação automática de registros, compra direta em lojas sem passagem obrigatória pela Polícia Federal, possibilidade de pessoa física adquirir até 120 munições por mês sem justificativa e redução significativa de documentação. Tudo isso desapareceu. O novo decreto voltou ao modelo anterior — mais restritivo, com exigências claras de documentação, análise caso a caso pela PF e limites muito menores de armas por categoria.

A Polícia Federal recuperou poder de veto. Antes, sob Bolsonaro, o critério era quase automático: se você não tinha antecedentes criminais e passava no psicotécnico, você ganhava a arma. Agora, o servidor da PF volta a ter discricionariedade real. Isso é um problema se você quer arma. É exatamente o que Lula queria.

Os Limites Atuais por Categoria de CAC

Sob o Decreto 11.366, os números são os seguintes:

  • Pistolas: máximo de 4 armas registradas simultaneamente
  • Revólveres: máximo de 4 armas registradas simultaneamente
  • Espingardas e carabinas: máximo de 4 armas registradas simultaneamente
  • Munição: limite de 50 cartuchos por mês para cada arma registrada, totalizando 200 por mês se você tem o limite máximo

Compare isso com o que Bolsonaro permitia: sete, sete e cinco respectivamente, com possibilidade de comprar 120 munições por mês sem justificativa. É uma redução de 43% em pistolas, 43% em revólveres e 20% em espingardas. Para quem comprou armas durante a era Bolsonaro acreditando que aquilo era permanente, a frustração é real.

Há ainda uma questão crucial: as armas que você já possui não são confiscadas automaticamente. Mas você não pode renovar registros de armas acima desses limites. Se você tem 10 pistolas registradas em seu nome, quando chegar o prazo de renovação anual, a PF pode negar a renovação das que excedem o limite de 4. Isso está acontecendo desde 2023.

As Liminares Judiciais: A Batalha Não Terminou

Vários CACs entraram na Justiça contra o Decreto 11.366. A ATIBS (Associação Técnica de Fiscalização de Armas, Munições, Explosivos e Produtos Químicos) e outras organizações ligadas ao setor argumentam que o decreto é inconstitucional porque viola direito de propriedade e porque alegadamente não cumpriu procedimentos administrativos corretos.

Até agora, a maioria das liminares foram derrubadas. A Justiça Federal em Brasília, onde estão os principais processos, entendeu que o governo tem competência para fazer essas restrições via decreto. O STF nunca foi acionado diretamente sobre o mérito da questão. Isso significa que ainda há margem para mudanças, dependendo de como a Corte se posicionar — se for acionada — e de quem estiver na presidência em 2026.

A CNCAP (Confederação Nacional de Clubes de Tiro) e a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) mantêm a pressão legislativa, mas sem maioria no Congresso para mudar a lei de armas. A SIGMA (Sociedade de Inteligência para Gestão de Armas) — grupo pró-controle — contra-argumenta baseado em dados de violência.

O Que o Atirador Deve Fazer Agora

Se você é CAC, aqui estão os próximos passos concretos:

  • Verifique o prazo de renovação do seu registro junto à Delegacia de Polícia Federal. Não deixe vencer. Se vencer, você não pode mais usar a arma legalmente.
  • Se você tem armas acima do limite (adquiridas sob Bolsonaro), comece a pensar em doações para clubes de tiro, venda legal ou, no pior dos casos, aceitar a negação da renovação.
  • Mantenha toda documentação em dia: certificado de participação em cursos de segurança, antecedentes limpos, psicotécnico atual.
  • Monitore comunicados da PF sobre mudanças em procedimentos. Eles têm publicado normas internas que especificam critérios mais rigorosos.
  • Se sua renovação for negada, você tem direito a recurso administrativo. Use-o.

O Horizonte 2025-2026: Esperança Renovada ou Ilusão

A próxima eleição presidencial é em 2026. Se um candidato alinhado à agenda pró-armas vencer, existe possibilidade real de novo decreto liberalizante. Mas isso não é garantido: o Congresso atual, apesar de conservador em muitos temas, não tem maioria sólida para mudar a Lei 10.826/2003 — a lei-mãe que governa armas. Um decreto pode ser revogado por outro decreto. Uma lei exige maioria qualificada.

O cenário mais

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