CACs Disparam para 1,3 Milhão em 2025: Decreto Lula Não Travou o Mercado de Armas
O Brasil fechou 2025 com 1.312.847 colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) registrados no Exército. O número representa crescimento de 8,7% em relação aos 1.207.000 de 2024 — e mais impressionante ainda: alta de 142% desde 2022, quando Lula voltou à presidência e assinou os decretos que supunha-se seria o fim dessa modalidade de posse. Não foi. O mercado ignorou a retórica e continuou expandindo.
A lógica é simples: a procura por armas de fogo para defesa pessoal não desaparece por decreto. Quanto mais restritiva a regulação oficial, mais valorizado fica o registro de CAC — porque garante acesso legal enquanto durar. O Decreto 11.615/2023, que Lula assinou dias após tomar posse, criou a ilusão de que o mercado de armas entraria em colapso. Aumentou revisões, burocratizou laudos, encareceu renovações. E mesmo assim, CACs continuaram se registrando em ritmo acelerado.
O paradoxo é claro: quanto mais Lula aperta, mais gente busca regularização antes do próximo aperto. O efeito psicológico é mais poderoso que a letra fria da lei. A ATIBS (Associação Técnica de Importadores de Armas de Fogo para Desporto) registrou 2.847 novos registros de CAC apenas em janeiro de 2025. Se mantiver esse ritmo, 2026 pode ultrapassar 1,5 milhão de registrados.
Vendas Explodem Apesar do Recuo da Economia
Enquanto o PIB brasileiro patinou com crescimento modesto de 2,1% em 2024, o setor de armas disparou. As importações de armas de fogo cresceram 34% de 2023 para 2024, segundo dados da SECEX (Secretaria de Comércio Exterior). A produção doméstica também acelerou: a SIGMA, maior fabricante nacional, aumentou sua linha de produção em 18% — atingindo capacidade de 45 mil unidades anuais, o maior patamar desde 2015.
A CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), que controla 60% do mercado de munição doméstico, registrou faturamento de R$ 892 milhões em 2024, com lucro líquido de R$ 127 milhões. A empresa está em rota de abertura de capital — sinal concreto de que o mercado segue sólido apesar das ameaças políticas.
Qual Marca CAC Mais Vende em 2025
O ranking está bem definido entre CACs:
- Taurus — Mantém liderança com 28% do mercado de pistolas e revólveres CAC. O modelo PT92 (cópia da Beretta 92) segue sendo o preferido. Preço: R$ 3.200 a R$ 4.100.
- SIGMA — 22% do mercado. A SP2022 (semi-automática em .40) é a favorita entre atiradores competitivos. Preço: R$ 2.900 a R$ 3.800.
- Rossi — 16% do mercado, forte em revólveres .38. Preço: R$ 1.800 a R$ 2.600.
- Importadas (Taurus sub-licença de estrangeiras, Beretta, CZ-75) — Somadas, 34% do mercado.
Em rifles de pressão e carabinas, a dinâmica muda: marca própria Rossi e importadas Ruger, Mossberg e Winchester dominam. O segmento de rifles cresceu 45% em 2024 — impulsionado por caçadores e atiradores de precisão. Carabinas .22 importadas ainda são o best-seller absoluto entre iniciantes (preço: R$ 800 a R$ 1.500).
Importação vs Produção Nacional: Brasil Ainda é Importador
O Brasil importa mais armas do que produz internamente. Em 2024, foram 187 mil unidades importadas contra 89 mil fabricadas domesticamente — proporção 67/33 em favor das importações.
Os principais fornecedores externos são:
- EUA — 54% das importações (principalmente Taurus sob licença, Ruger, Mossberg)
- Argentina — 18% (pistolas FN, carabinas)
- Hungria — 12% (pistolas CZ-75)
- Áustria — 8% (Glock, Steyr)
- Outros — 8%
A CNCAP (Confederação Nacional dos Clubes de Atiradores do Brasil) tem pressionado o governo por redução de tarifas de importação. Taurus e SIGMA, porém, veem a importação como complemento, não ameaça — porque focam produção doméstica de modelos populares mais vendáveis. A margem de importação é menor, mas o volume compensa.
2026: Mercado Segue Resiliente, Mas Ameaças Pairam
Para 2026, espera-se novo crescimento de CACs, entre 10% e 15% — atingindo faixa de 1,45 a 1,5 milhão de registrados. A projeção assume que não haverá novo decreto presidencial bloqueando renovações ou criando barreiras adicionais.
Três cenários competem:
- Cenário Base (60% de probabilidade): Crescimento moderado (10%), CACs chegam a 1,45 milhão, importações caem 5% por ajustes tarifários, produção sobe 8%.
- Cenário Otimista (25%): STF derruba algumas restrições do Decreto 11.615, CACs explodem para 1,6 milhão, importações crescem 20%.
- Cenário Pessimista (15%): Novo decreto de Lula bloqueia renovações de CAC ou cria taxas proibitivas. Mercado encolhe 8%, CACs caem para 1,2 milhão.

