Decretos Lula Fecham a Porta: O Que Sobrou para o CAC com Fuzil
A mudança mais brutal para o segmento de CAC (Colecionador, Atirador e Caçador) veio entre 2023 e 2024, quando o governo Lula assinaria decretos que enterraram o acesso a fuzis modernos. Antes, um atirador desportivo podia solicitar legalmente fuzis como AR-15, AK regulado ou M4. Hoje, a realidade é outra: a Polícia Federal praticamente congelou novas licenças para essas plataformas, e as existentes viram relíquia.
O Decreto 11.615, de maio de 2023, foi o primeiro golpe. Depois veio o Decreto 11.784, de outubro de 2023, que retirou os rifles semiautomáticos de maior potência de circulação. O padrão ficou claro: o Executivo mudou a interpretação da Lei 10.826 (Estatuto do Desarmamento) sem passar por legislação específica, usando apenas decretos regulamentadores. A estratégia jurídica funcionou porque a Câmara não tem força política para derrubar essas medidas.
Mas aqui está o ponto que ninguém fala em voz alta: não foi um banimento total e imediato. Os decretos criaram categorias, e certos calibres ainda passam. Um atirador desportivo consegue hoje licença para .22 rimfire, .308 Winchester, .223 Remington (em rifles de ferrolho, não semiautomático) e alguns casos isolados de 7,62x51 NATO. O truque está na semântica: esses calibres não sumiram da lei, mas a Polícia Federal endureceu os critérios de aprovação e passou a questionar se o "potencial ofensivo" justifica a concessão.
A Diferença Entre Colecionador e Atirador Ficou Crucial
Essa é uma nuança que decide tudo. Um colecionador (pessoa que acumula armas para coleção, sem visar ao uso operacional) tem menos restrições nominalmente. Um atirador desportivo (filiado a clube de tiro, com histórico competitivo documentado) deveria ter mais liberdade. Na prática, a Polícia Federal inverteu isso.
O atirador desportivo precisa comprovar filiação ativa a entidade como ATIBS (Associação Técnica Internacional de Tiro Brasileiro), CNCAP (Confederação Nacional de Caça) ou clube de tiro credenciado. Precisa apresentar histórico de competições. E mesmo assim, a aprovação chegou a levar 18 meses ou ser negada sem motivação clara. Colecionadores, por sua vez, enfrentam burocracia, mas às vezes conseguem autorização porque o argumento patrimonial (guardar armas históricas) soa menos "ofensivo" ao Estado.
O rifles 7,62x54R (calibre histórico russo), por exemplo, costuma passar mais facilmente para colecionadores com foco em armas antigas do que para atiradores desportivos querendo usar em competição. A lógica é paradoxal, mas é assim que funciona.
As Liminares do STF Criaram Brechas, Mas Temporárias
Entre 2023 e 2024, alguns ministros do STF concederam liminares que suspenderam parcialmente os decretos para CACs específicos. A argumentação jurídica foi que o Poder Executivo não pode usar decreto para revogar direitos já consolidados pela lei. Magistrados como o ministro Gilmar Mendes e ocasionalmente o relator Alexandre de Moraes se posicionaram de forma dúbia.
O resultado? CACs com rifles AR-15 e M4 já licenciados conseguiram manter as armas via liminar, mas novas solicitações continuaram travadas. A Polícia Federal respeita as liminares individuais, mas não as universaliza. Cada CAC que quer usar isso precisa entrar na justiça, contratar advogado, e aguardar decisão monocrática.
Esse estado de suspensão indefinida é intencional. O governo consegue congelar o mercado sem arcar com sentença desfavorável de uma ação coletiva. Os decretos sobrevivem enquanto as liminares resolvem casos pontuais.
O Que Ainda Funciona Hoje: Os Calibres Reais
Se você é CAC e quer arma legal agora, sem esperar liminar, aqui está o mapa:
- .22 rimfire: Ainda passa. Rifles de ferrolho, semiautomáticos (com mais dificuldade). Praticamente nenhuma negação em primeira instância.
- .308 Winchester / 7,62x51 NATO: Passam se você comprovação de competição ou coleção. Deve ser de ferrolho ou semiautomático com justificativa muito forte.
- .223 Remington / 5,56 NATO: De ferrolho, com moderada chance. Semiautomático: praticamente impossível sem liminar judicial.
- Calibres históricos (7,62x54R, 8x57 Mauser, .30-06): Abrem porta para colecionadores com acervo documentado.
- .300 Blackout, 6.5 Creedmoor: Casos muito isolados. Não conte com aprovação de primeira.
O .22 é a zona segura. Tudo acima disso exige narrativa forte: competição, coleção, experiência comprovada.
O Limite Prático em 2024 e 2025
A realidade que nenhum funcionário da Polícia Federal vai confirmar em ofício é simples: fuzis semiautomáticos de uso civil (AR-15, AK-V) estão fechados para CACs novatos. Quem já tinha licença anterior aos decretos aguarda liminar ou segue com posse "congelada" até decisão final do STF. Quem está entrando agora vai receber indeferimento padrão.
Os rifles de ferrolho (bolt action) ainda são viáveis, mas a Polícia Federal começou a questionar justificativa mesmo em ferrolhos de calibre intermediário. A máxima prática é: quanto maior o calibre e mais moderno o rifle, mais você depende de liminar judicial.
Colecionadores têm ligeira vantagem sobre atiradores desportivos quando o assunto é fuzil, porque "coleção" soa menos ameaçador ao Estado. Atiradores precisam estar ligados a entidades como ATIBS ou CNCAP com histórico de atividade recente. Caçadores saem melhor em alguns calibres .308 ou similares,

